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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

TEMPO DE VOO




Tempo de voo


(para as gaivotas que partiram...)

 

O gosto salgado do mar

A fuga das palavras sobre as ondas

Os lábios secos de ilusão

O tropeço no pronome possessivo

A regência de um verbo desgarrado,

em um barco à deriva

O voo das gaivotas

para longe dos limos apodrecidos

os rochedos acinzentaram

e a música calou-se

presas a uma ilha sem habitantes

o desespero das libélulas

as asas pregadas na cortina da noite

barulho estridente dos sinos no ar

que mais parecem tambores de guerra

ou martelos de uma sentença

tempo de voo

o vendaval revirando o oceano anil

cansado, triste e morno

escurecido...anunciando temporal

a solidão da nuvem angustiada

que já vai chorar

derramando suas lágrimas

chuva de lamentos e dúvidas

e uma saudade insistente

das gaivotas que partiram

08.02.12

domingo, 31 de outubro de 2010

LONGE DO TEU BÁLSAMO . . .



LONGE DO TEU BÁLSAMO . . .

Foram trilhas de felicidade

Caminhos azuis, de areia

Um sol e duas realidades

Sonhos... guardados...

Água da chuva

Pés sem meias

E o nosso tempo,abreviado

No limiar,fomos apartados

Por traição,caçados

Turvou o céu

Brusca tempestade

Vento rasgou nossos véus

Quanta maldade...

Murmúrios,parolagens

Insensatez...ociosas mentes

Falsas imagens

Me vi diferente...

triste e assustada

Obscura e descrente

semente pisoteada...

Delirando em miragens

Despedida forçada...

Longe do teu bálsamo...teu olhar

Do teu suave chegar

Está silencioso, meu mar

Minha alma naufragou,

E perdida,chora vingança

não descansa

O algoz nos roubou...

Na quietude do ar denso,

espio teu andar,tenso ...

não me conformo, não passou !

Preso em outro cais

Ancorado,sem chances de meu sim...

Um querer sufocado,em mim...

Preciso gritar... meus ais!

Lamento o triste fim...

... 
 
“Eu sonhei tanto amor, tantas venturas,

Tantas noites de febre e d’esperança!

Mas hoje o coração desbota, esfria,

E do peito no túmulo descansa”
(POESIA: Saudades – versos de Álvares de Azevedo)
























































































sexta-feira, 1 de outubro de 2010

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O TEMPO NÃO PARA


Cochila nas águas um segredo


Que a solidão precisa revelar


Porém, numa fração de segundos,


é calado pelo medo


Mundos diferentes


O tempo está com pressa


Deixamos a vida passar


E meu coração está sufocado,


é insuportável, a espera


contemplo com ansiedade, o céu,


me afogo com seu reflexo no mar


Saudosa daquele olhar que me deseja


Ecos respondem: amar, amar, amar


Queria dispor da força dos elefantes


Para quebrar essas portas,


e andar firme , cheia de certezas


mas só acontecem desencontros


chuvas de incertezas


O tempo desfaz de mim, a gargalhar


O tempo não para






Quero o anil, a essência, o cheiro de anis


Te saborear com meus olhos


Tecer tua geografia, em paz


Velada beleza


Busco o cristal que jaz


Tardes vazias


Ruas desertas, salas mortas


Aragem fria


Sensação tardia


Cercada de árvores tortas


Caos ancestral


Preciso, demais, do tempo


E o tempo não para






Lembranças gritam, desesperadas


Chamando teu nome


Centenas de vezes


Minha alma, em clausura


Quer novamente voar


Correr contra o tempo


Atrofia-lo sem dó


Ao longe, brilham tuas pupilas


Estrelas na escuridão


Meus devaneios, atados ,aos nós


Nossos pensamentos, se encontram


Ao cair da noite


Então me embriago em ti,


e todos os prazeres me servem à mente


ceia de farturas


O dia nasce, acanhado


Escadas ao contrário


Espelhos quebrados


Encontros desencontrados


E o tempo não para






As chances se perdem


Nos cemitérios da paixão


Pesos, dormência


Desânimo ancorando


Porque o tempo não para


E ainda quero a luz dos teus olhos


Para reviver e das cinzas renascer


Contudo, os relógios conspiram


Em desfavor


Fico quieta, a sofrer, a sonhar


E o tempo não para


Imagem disponível Google



“Longe dos túmulos famosos

Para um cemitério isolado,

Meu coração, tambor velado

Vai batendo tons dolorosos”

Charles Baudelaire



“Vens do céu profundo

ou sais do precipício...

...esse teu olhar

Divino e daninho”

Charles Baudelaire

segunda-feira, 19 de abril de 2010

MÚSICA DO CORAÇÃO


♥ MÚSICA DO CORAÇÃO ♥

Cadernos de música
Partituras inacabadas
Meu piano em espera
Vou tocá-lo, com carinho
Seu pensamento me chama
O início de uma outra Era
Emoções reveladas
Diz-me amor da sua melodia
Minha esperança ama
Com saudade, reclama
Hoje vou compor em harmonia
Em minha partitura, eu desenho
Uma história de paixão
Beleza e fantasia
É tudo que tenho
Minha profunda inspiração
O toque da magia
Claves de sol e de fá
O som a se misturar
Num pequeno prelúdio
Meus dedos nas teclas a dançar
Numa composição
As notas se unem
Na música do coração
Imagem disponível - GOOGLE
PUBLICADO NOS SITES: CASA DA POESIA , SITE DE POESIAS E O MELHOR DA WEB - POESIAS


domingo, 11 de abril de 2010

CAMINHOS . . .


CAMINHOS . . .

CAMINHOS ESVERDEADOS
O AROMA DO MATO
AVENCAS E SAMAMBAIAS
NOS BARRANCOS, PEDRAS E LIMO
UMA FLORESTA PEQUENA
DE GRANDES EUCALIPTOS
FILEIRAS DE AR PURO
O VERDE ESCURO
UM OLHO D´ÁGUA SE DESTACA
REFLETINDO O AZUL CLARO DO CÉU
DE UM OLHAR QUE SE PERDEU?
ANDORINHAS E SABIÁS
NUM CONSTANTE CANTAROLAR
PRÓXIMO A ANTIGA RODA D’ÁGUA
BORBOLETAS ROMÂNTICAS,
CONTAM MUITAS HISTÓRIAS
AINDA HÁ ESPERANÇA NO AR
DUAS FIGUEIRAS, AO LONGE
CRIVADAS DE BARBAS DE PAU
NATUREZA, TERRA SAGRADA
SE REVELA, COM SIMPLICIDADE
SOPRA UM VENTO LEVE
QUE FAZ BALANÇAR O TAQUARAL
UM TRAPO VERMELHO DESBOTADO
ENTRE OS GALHOS
UM ASSOVIAR DE SACI
VELHA TAPERA ABANDONADA
QUE UM DIA SERVIU DE LAR
HOJE ABRIGA UMA ALMA PENADA
NA CHEGADA DA NOITE
LUA CHEIA ILUMINA O LENÇOL, AZUL MARINHO
DE UM OLHAR QUE SE PERDEU?
O UIVO DOS LOBOS
A CHORAR DE SAUDADE
UM VULTO DISTANTE
SE EMBRENHA NO ESCURO
SE TUDO É TÃO SIMPLES E BELO
PORQUE SE ESCONDER?
CHEGA DE SOLIDÃO
QUERO SEU CÉU, AZUL ANIL
JUNTO AOS MEUS CAMINHOS ESVERDEADOS
SINTO FALTA DO TEU OLHAR
DE UM OLHAR QUE SE PERDEU?
NÃO TE AFASTES DO MEU MUNDO
VEM, TENHO MUITO A TE REVELAR
NATUREZA NÃO QUER MAIS CHORAR

Imagem disponível - google

segunda-feira, 1 de março de 2010


TEU RASTRO
Sigo o teu rastro
É assim que te acho
Águia na noite
Sobrevoando o teu ninho
Te roubando os pensamentos
E deixando no ar uma angústia
Vem a insônia insana
Vida não vivida
Paixão quase perdida
Mistério guardado
Um tempo indeterminado
que saudade sufocante
do meu eterno namorado
sentimento guardado
marcas do passado



Imagem disponível - Google